Zootecnia Tropical > Sumario de la Colección > Volumen 25

Zootecnia Tropical 25(2):103-110. 2007

Níveis de proteína bruta e suplementação com levedura "Spray Dried" em rações associados a adubação orgânica no cultivo
de alevinos de tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus)

Claudemir Martins Soares1*, Carmino Hayashi2,
Carlos Henrique Figueiredo Lacerda3 e Eliana Maria Galdioli4

1 Dep. Biologia, Universidade Estadual de Maringá (UEM).
 Maringá, Paraná, Brasil.
*Correo electrónico:
cmsoares@uem.br

2 Instituto de Pesca / APTA -
Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo,
 São Paulo, Brasil.

3 Programa de Pós-Graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais,
UEM. Maringá, Paraná, Brasil.

4 Departamento de Biologia,
UEM; Maringá, Paraná, Brasil

Recibido: 29/09/2004  Aceptado: 15/06/2007


RESUMO

Objetivou-se avaliar o uso de rações com diferentes teores de proteína bruta (PB) associado a inclusão de levedura desidratada (LD) e adubação no cultivo de alevinos de tilápia do Nilo. Foram utilizados 480 peixes (2,19±0,29g), em um delineamento em blocos casualizados com doze tratamentos e quatro repetições. As rações tinham 27, 30 e 33 % de PB com ou sem LD (6%), sendo estas empregadas em tanques com ou sem adubação. Os peixes submetidos a rações com 30 e 33% de PB sem LD e os com 33% de PB com LD em tanques adubados apresentaram valores de peso final superiores aos dos alimentados com 27 e 30% de PB com ou sem LD em tanques sem adubação. Os peixes que receberam rações com 30 e 33% de PB sem LD apresentaram melhores índices de conversão alimentar que os que receberam rações com 27% de PB em tanques sem adubação. Os tratamentos com rações com 27 ou 30% de PB em tanques com adubação levaram os valores de peso final médio e conversão alimentar similares aos tratamentos com 33% de PB em tanques não adubados. Houve aumento linear dos valores de peso final e taxa de eficiência protéica em função dos níveis de PB na ração em tanques adubados e sem adubação. O uso de adubação com o emprego de rações com os mesmos teores de PB possibilitaram melhores valores de peso final, conversão alimentar e taxa de eficiência protéica dos peixes. Os peixes criados em tanques adubados tiveram melhores valores de peso final, conversão alimentar e taxa de eficiência protéica, enquanto a presença de LD não afetou estes parâmetros. Conclui-se que o uso de adubação possibilita a redução da proteína dietária para alevinos de tilápia do Nilo.

Palavras chave: adubação, levedura desidratada, fontes protéicas, Oreochromis niloticus, tilápia do Nilo.

Crude protein level and dry yeast in diet combined with organic fertilizer in Nile tilapia (Oreochromis niloticus) fingerling rearing

ABSTRACT

Aiming to evaluate the use of crude protein (CP) levels and dry yeast (DY) combined with organic fertilizer in Nile tilapia fingerling culture, 480 fishes (2.19±0.29g) were distributed in an entirely randomized block design with twelve treatments with four replications. The diets had 27, 30, and 33% of CP with or without DY (6%) and applied in tanks with or without manure. Fishes that received diets with 30 and 33% of CP without DY and the diet with 33% of CP with DY in tanks fertilized showed better final weight values than those feed with 27 and 30% of CP with or no DY in no fertilized tanks. Fishes that received diets with 30 and 33% of CP without DY had better feed conversion index than those that received diets with 27% of CP in no fertilized tanks. The treatments that have diets with 27 or 30% of CP in fertilized tanks promoted similar values of final weight and feed/gain ratio conversion than treatments with 33% of CP at no fertilized tanks. There was a linear increase of final weight and efficiency protein rate values by the levels of PB in diets in fertilized tanks and without manure. The use of manure with diets with the same PB levels showed better values of final weight, feed/gain and efficiency protein rate. The final weight, feed: gain ratio and efficiency protein rate of fishes were better at the fertilized tanks. Therefore these parameters were no affect by the DY in diets. It may be concluded that the use of manure make possible a reduction in the dietary protein level in Nile tilapia fingerlings.

Keywords: dry yeast, fertilization, Nile tilapia, Oreochromis niloticus, protein source.

INTRODUÇÃO

A aqüicultura é o setor de produção animal que mais tem crescido no mundo, apresentando uma taxa média de aumento anual de 10% (FAO, 1997). Esta atividade deve expandir-se rapidamente para compensar a estabilização dos produtos oriundos da pesca em ambientes naturais em virtude da sobre exploração nos oceanos e outros corpos de água (Hossain et al., 2001). A tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) é empregada em diversos sistemas de criação em um grande número de países tropicais e subtropicais, sendo uma das mais importantes na aquicultura mundial (Lovshin, 1997). Sua produção anual vem crescendo a uma taxa e 12,00% (El-Sayed, 1999).

Os custos com a alimentação na aquicultura correspondem à maior parcela dos custos totais de produção nas criações semi-intensivas (Meer et al., 1995; El-Sayed, 1999) em função das rações para peixes possuírem elevado teor de proteína, em comparação às rações para outros animais cultivados (Furuya et al., 1997). Principalmente em virtude do alto preço da farinha de peixe (FP), a qual é a principal fonte de proteína utilizada para rações para peixes devido ao seu valor biológico e perfil em aminoácidos favoráveis. Apesar de que em rações para peixes onívoros a proteína da FP pode ser substituída em grande parte por proteína de origem vegetal como a do farelo de soja, este ainda apresenta alto valor, desta foram a determinação de níveis adequados de proteína bruta nas rações assim como de manejos como a adubação que possam possibilitar a redução dos teores de proteína nas rações permitira redução nos custos de produção.

A levedura desidratada (LD) apesar de apresentar elevado nível protéico e alto valor biológico, tem sua inclusão em rações limitada devido a parede celular rígida Rumsey et al. (1990) e por possuir elevado nível de nitrogênio não protéico (Berto, 1997), entretanto proporciona melhora no desempenho dos animais quando adicionada ás rações desde que em baixas percentagens Meurer et al. (2000) atuando como suplemento vitamínico, uma vez que esta é rica em vitaminas do complexo B.

A adubação de tanques tem como propósito aumentar a produtividade planctônica aumentando a disponibilidade de alimento natural para os peixes (Faria et al., 2000; Knud-Hansen et al., 2003), principalmente nos estágios inicial sendo fonte de proteína de alta qualidade e de minerais podendo reduzir os custos de produção em virtude de possibilitar o uso de rações com menores níveis protéicos. Na tilapicultura principalmente na criação de indivíduos nas fases iniciais de desenvolvimento pode-se utilizar o cultivo em "águas verdes" mediante a adubação dos tanques com intuito de aumentar a disponibilidade de organismos planctônicos os quais podem ser filtrados e consumidos pelas tilápias devidos o seu habito alimentar, o que desta forma pode possibilitar a redução no teor de proteína na ração utilizada para a criação. Desta forma estudos com fertilização de tanques para aumentar rendimentos da tilápia de Nilo, recebeu atenção considerável durante recentes décadas (Schroeder et al., 1990; Knud-Hansen et al., 2003)

Este experimento teve por objetivo avaliar a utilização de rações com diferentes teores de proteína bruta com suplementação com 6,00% de levedura seca associados a adubação orgânica no cultivo de alevinos de tilápia do Nilo.

MATERIALES E MÉTODOS

O presente experimento com duração de 60 dias foi realizado no Laboratório de Aqüicultura do Departamento de Biologia da Universidade Estadual de Maringá no período de julho a agosto de 2000. Foram utilizados 480 peixes com peso de médio de 0,52 g, distribuídos em 48 tanques-rede de "nylon", com abertura de malha de 1,00 x 1,00 mm e 48,00 x 38,00 x 47,00 cm de altura, comprimento e largura, respectivamente e, volume útil de 120 L, instalados em oito caixas de fibrocimento com volume útil de 800 L, em um delineamento em blocos casualizados. Durante o período experimental foi mantida aeração constante por meio de compressor com uma pedra porosa por tanque rede e circulação de 10% do volume total de água de cada caixa por dia.

Realizou-se inoculação com plâncton natural, colocando-se em cada tanque, 500 mL de água proveniente de tanques de piscicultura, juntamente com a primeira adubação, dez dias antes da estocagem dos peixes. A cada sete dias as 8:00 horas, foram realizadas coletas de plâncton, retirando-se seis amostras de 250 mL, uma em cada tanque-rede, a 20cm da superfície em cada tanque, sendo estas misturadas e desta retirados 250 mL. As amostras foram filtradas em rede de 20 µm de abertura de malha e fixadas em formalina 2% neutra, para posteriores análises. Os parâmetros físico-químicos pH, condutividade elétrica e oxigênio dissolvido foram monitorados semanalmente. O oxigênio dissolvido foi mantido acima de 4,00 mg/L, enquanto que a temperatura foi medida duas vezes ao dia (8:00 e 16:00 h).

O fitoplâncton dos diferentes tanques foi analisado em microscópio óptico "Olympus", utilizando-se para tal, lâmina comum de vidro quadriculada com área de 1cm2. As diluições para as análises das amostras foram realizadas de forma que fossem contados pelo menos 200 indivíduos do item mais freqüente. Para a análise do zooplâncton total foram contados todos os organismos presentes em 1 mL das amostras. A identificação dos organismos planctônicos foi baseada em Hino e Tundisi (1977), Lewis (1979), Komarék (1983) e Picelli-Vicentim (1987).

As rações foram formuladas de modo a serem isocálcicas, isofosfóricas, isocalóricas e com 27, 30 e 33% de PB (Tabela 1), diferindo ainda quanto a inclusão de levedura desidratada por "spray dry" (LD) em nível de 6% da ração. As diferentes rações foram fornecidas para os peixes estocados em tanques com e sem adubação, sendo que os tanques sem adubação foram mantidos cobertos com plástico escuro para inibir a proliferação do fitoplâncton em quanto os tanques adubados foram cobertos com plástico transparente. Foram realizadas adubações semanais da metade dos tanques (caixas de 1000 L) com 20 g de esterco de aves.

As rações foram formuladas de modo a serem isocálcicas, isofosfóricas, isocalóricas Para a confecção das rações os alimentos foram moídos individualmente, em um moinho tipo faca com peneira 0,5 mm, que, posteriormente foram umedecidas em água à 50ºC, peletizadas em moinho de carne e secas em estufa de ventilação forçada a 55ºC e desintegradas e passadas em peneiras de diferentes malhas, para que fossem fornecidas grânulos com tamanhos adequados à boca dos peixes. O arraçoamento foi realizado a vontade seis vezes ao dia, sendo fornecidas as rações a cada dez minutos até o saciamento dos animais.

Os fundos dos tanques-rede foram sifonados a cada dois dias, para a retirada das fezes depositadas, enquanto que o fundo das caixas de fibro-cimento foram sifonados nos dias de pesagem dos peixes.

As características de desempenho dos peixes analisadas foram o peso final, conversão alimentar e a taxa de eficiência protéica. Sendo a taxa de eficiência protéica calculada segundo a expressão descrita por Jauncey e Ross (1982).

O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados com dose tratamentos e quatro repetições, sendo que os tratamentos consistiram da combinação dos níveis de PB, presença ou não da LD em tanques ou sem adubação. As análises estatísticas das variáveis de desempenho foram realizadas por análises de MANOVA Fatorial, de variância e de regressão linear, através do programa SAEG (Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas) descrito por Euclydes (1983). Os dados de fitoplâncton e zooplâncton total foram submetidos à análise de variância e em caso de diferenças estatísticas, aplicou-se o teste F a 5% de probabilidade.

Tabela 1. Composição percentual e química das rações experimentais com diferentes teores de proteína bruta e de levedura desidratada (matéria natural). SL e CL = sem levedura e com levedura, respectivamente


Ingrediente (%)

Proteína bruta na ração (%)


27

30

33



SL CL SL CL SL CL

Milho

35,89

32,98

29,61

26,70

23,34

16,50

Farinha de peixe

4,00

4,00

4,00

4,00

4,00

4,00

Farelo de soja

46,10

41,55

53,58

49,03

61,06

57,21

Levedura seca

-

6,00

-

6,00

-

6,00

Bagaço de cana

5,43

6,89

4,85

6,31

4,27

7,80

Calcário calcitico

1,64

1,64

1,60

1,59

1,55

1,55

Fosfato bicálcico

1,85

1,78

1,73

1,66

1,62

1,59

Óleo de soja

4,07

4,15

3,60

3,69

3,14

4,33

Suplemento†

0,50

0,50

0,50

0,50

0,50

0,50

Sal comum

0,50

0,50

0,50

0,50

0,50

0,50

BHT (butil-hydroxi-toluent)

0,02

0,02

0,02

0,02

0,02

0,02


Total

100

100

100

100

100

100


 

Valores calculados


Energia digestível (kcal/kg)‡

3.000

3.000

3.000

3.000

3.000

3.000

Proteína bruta (%)

27,0

27,0

30,0

30,0

33,0

33,0

Lisina (%)

1,63

1,66

1,83

1,86

2,03

2,08

Metionina+cistina (%)

0,95

0,94

1,03

1,02

1,11

1,09

Cálcio (%)

1,00

1,00

1,00

1,00

1,00

1,00

Fósforo total (%)

0,80

0,80

0,80

0,80

0,80

0,80

Fibra bruta (%)

5,19

5,62

5,20

5,63

5,21

6,45

Extrato etéreo (%)

7,00

7,00

6,50

6,50

6,00

7,00

Linoléico (%)

3,01

2,98

2,68

2,65

2,34

2,83


† Níveis de garantia por kg do produto: Vit. A 1.200.000 UI. Vit. D3 200.000 UI. Vit.E 12.000 mg. Vit. K3 2.400 mg. Vit. B1 4.800 mg. Vit. B2 4.800 mg. Vit. B6 4.000 mg. Vit. B12 4.800 mg. Ác. Fólico 1.200 mg. Pantotenato Ca 12.000 mg. Vit. C 48.000 mg. Biotina 48 mg. Colina 65.000 mg. Niacina 24.000 mg. Ferro 10.000 mg. Cobre 6.000 mg. Manganês 4.000 mg. Zinco 6.000 mg. Iodo 20 mg. Cobalto 2 mg. Selênio 20 mg.

‡ Com base nos valores de energia digestível propostos para a tilapia para o milho e farinha de peixe pelo NRC (1993) e para o óleo de soja por Sintayehu et al. (1996)

A produção de leite das ovelhas foi avaliada durante 7 semanas pelo método de dupla pesagem (indireto). As cordeiras foram pesadas antes e após a mamada, isto é, às 0:00; 8:00 e 16:00h, semanalmente, mantendo para isso as mesmas separadas oito horas antes de suas respectivas mães. As amostras de leite foram coletas antes das mamadas, manualmente, num volume de 10 ml. As análises de composição do leite foram realizadas na Usina de Laticínios (Coprol) onde a determinação da lactose foi realizada pelo método de Licor de Feeling e determinação da gordura pelos métodos de Gerber e Milko tester 3.

Adotou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado. Para análise estatística dos dados foi realizada a análise de variância, sendo que para os dois sistemas de alimentação realizou-se o teste F ao nível de significância de 5% As análises foram realizadas utilizando o pacote estatístico SAS no Núcleo de Processamento de Dados da Universidade Federal de Santa Maria.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Não foram observadas interações entre os fatores teor proteína levedura e adubação (MANOVA Fatorial, P>0,05) sobre os parâmetros de desempenho produtivos dos peixes. Na Tabela 2 encontram-se os valores médios das densidades dos organismos planctônicos nos tanques com e sem adubação ao longo do período experimental. Houve maiores disponibilidades de organismos planctônicos (P<0,01) em tanques adubados ocorrendo nestes maiores densidades de organismos fitoplanctônicos assim como zooplanctônicos em comparação aos valores obtidos nos tanques sem adubação.

Tabela 2. Valores médios das densidades dos organismos planctônicos nos tanques com e sem adubação ao longo do período experimental


  Sem adubação Com adubação


Tempo (dias)


1

7

14

21

28

35

1

7

14

21

28

35

Zooplâncton (ind/cm2)


Arcella sp

0

0

0

0

0

0

320

240

0

0

240

0

Diflugia sp

0

0

0

0

0

80

0

0

400

80

80

1.440

Outras tecamebas

0

0

240

0

160

80

80

80

0

0

320

0

Lecane SP

160

0

0

80

80

800

240

400

80

80

160

0

Tricocerca SP

240

0

0

0

0

80

400

320

400

80

240

320

Outros rotíferos

240

0

80

0

320

640

240

0

320

0

320

480

Vorticella sp

0

0

0

0

0

0

80

0

0

0

0

80

Outros protozoários

160

0

0

80

0

80

160

0

0

0

80

0


Total

800

0

320

160

560

1.760

1.520

1.040

1.200

240

1.440

2.320


Fitoplâncton (1 x 103) (ind/mL)


Botryococus sp

0

0

0

0

0

0

3,2

0

0

1,6

0

0

Chlorella sp

6

0

0

0

3,2

0

32,0

12,8

0

0

0

0

Coelastrum sp

1,6

0

0

0

1,6

0

36,8

9,6

16,0

16,0

12,8

14,4

Cyclotella sp

1,6

0

0

0

0

0

0

3,2

0

0

0

0

Desmidium sp

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

1,6

Diatomaceae

1,6

0

0

0

0

0

121,6

17,6

0

3,2

0

1,6

Eudorina sp

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

4,8

Eutetramorus SP

0

0

1,6

0

0

0

0

0

1,6

0

1,6

0

Kirchineriela SP

0

0

0

0

1,6

0

0

17,6

0

0

0

0

Pandorina SP

1,6

0

3,2

0

0

0

0

0

0

0

3,2

0

Pediastrum SP

4,8

0

1,6

0

0

0

1,6

0

0

0

0

0

Scenedesmus SP

19,2

4,8

19,2

4,8

0

3,2

524,8

318,4

33,6

96,0

57,6

132,8

Cyanophyta

0

12,8

0

0

0

0

0

0

0

3,2

0

0


Total

36,8

17,6

25,6

4,8

6,4

3,2

720,0

379,2

51,2

120,0

75,2

155,2



Tabela 3. Valores médios dos parâmetros de desempenho dos alevinos de tilápia do Nilo submetidos a rações com ou sem levedura desidratada.


Parâmetro† Uso de levedura

Sem levedura Com levedura CV(%)

PIM

0,52a‡

0,52a

3,08

PFM

7,88ª

7,75a

14,02

CA

0,66ª

0,67a

17,93

TEP

1,97ª

2,00a

18,59

SOB

94,17ª

92,08a

9,73


† PIM = peso inicial médio (g), PFM = peso final médio (g), CA= conversão alimentar aparente, TEP = taxa de eficiência protéica, SOB = taxa de sobrevivência (%).

‡ Valores em mesma linha seguidos de mesma letra não diferem pelo teste F

Os valores médios das características de desempenho de alevinos de tilápia do Nilo submetidos a rações com diferentes teores de proteína, com ou sem levedura e em tanque adubados ou não estão na Tabela 2. Os peixes submetidos a rações com 30 e 33% de proteína bruta sem levedura e os com 33% de proteína bruta com levedura em tanques adubados apresentaram valores superiores de peso final (Tukey, P<0,05) do que os alimentados com 27 e 30% de proteína bruta com ou sem levedura em tanques sem adubação.

Em relação aos valores de conversão alimentar os peixes que receberam as rações com 30 e 33% de PB sem levedura apresentaram melhores índices (Tukey, P<0,05) que os peixes que receberam rações com 27% de proteína bruta em tanques sem adubação. Os tratamentos com rações com 27 ou 30% de proteína bruta em tanques com adubação apresentaram valores de peso final médio e conversão alimentarem similares (Tukey, P>0,02) aos tratamentos com 33% de proteína bruta em tanques não adubados.

A presença de 6% de levedura não afetou (Teste F, P<0,05) os parâmetros de desempenho dos peixes (Tabela 3); fato este que discorda do obtido por Meurer et al. (2000) que observaram melhora no desempenho de alevinos de tilápia do Nilo com rações tendo 6% de levedura desidratada.

Observou-se aumento linear (P<0,05) dos valores de peso final e taxa de eficiência protéica em função dos níveis de proteína na ração em tanques adubados e sem adubação (Tabela 4), o que sugere que a exigência de proteína bruta para esta fase de desenvolvimento da tilápia do Nilo deve estar acima dos teores protéicos aqui estudados.

O uso de adubação com o emprego de rações com os mesmos teores de proteína bruta possibilitou melhores valores (Teste F, P<0,05) de peso final, conversão alimentar e taxa de eficiência protéica dos peixes quando comparados com o os peixes mantidos nos tanques sem adubação (Tabela 4). Desta forma a adubação possibilita o uso de rações com menores teores de PB, podendo de esta forma promover redução nos custo de produção. Estes resultados estão de acordo com os relatos de Schroeder et al. (1990) que observaram melhora nos parâmetros de desempenho de tilápia do Nilo com o uso de adubação e com Little e Edwards (2004) que observaram melhores valores de peso final e de taxa de sobrevivência de tilápia do Nilo em cultivos monosexo ou misto em tanques adubados.

Melhoras nas características de desempenho produtivo de peixes com o emprego de plâncton associado a rações também foram relatados por Furuya et al. (1999) e Soares et al. (2000) para alevinos de curimbatá (Prochilodus lineatus) e quinguio (Carassius auratus), respectivamente, quando comparados com aqueles alimentados com apenas ração.

Tabela 4. Valores médios de desempenho dos alevinos de tilápia do Nilo submetidos a rações com diferentes teores de proteína bruta e em tanques com e sem adubação.


Parametro†

Tratamentos


Proteína bruta na ração

Uso de adubo



27

30

33

CV   Sem adubo Com adubo CV

 

-------------- % -------------

  --------------- % ---------------



PIM

0,52

0,52

0,52

2,90

PIM

0,52

0,52

2,93

PFM‡

7,25

7,84

8,34

8,75

PFM

7,20b#

8,43a

8,75

CA

0,68

0,65

0,65

8,47

CA

0,75ª

0,58b

12,14

TEP§

1,85

1,96

2,15

11,76

TEP

2,24ª

1,72b

11,76

SOB¶

95,6

94,6

89,4

9,20

SOB

90,8ª

95,4a

9,19


† PIM = peso inicial médio (g), PFM = peso final médio (g), CA = conversão alimentar aparente, TEP = taxa de eficiência protéica, SOB = taxa de sobrevivência (%).

‡ efeito linear Y = 2,28122 + 0,18446X, r2 = 1,00 (P<0,001)
§ efeito linear Y = 0,48846 + 0,04991X, r2 = 0,98 (P<0,02)
¶ efeito linear Y = 124,37500 - 1,04167, r2 = 0,89 (P<0,04)
# Valores em mesma linha seguidos de mesma letra não diferem pelo teste F.

A melhora na conversão alimentar com e taxa de eficiência protéica dos alevinos indicam que o plâncton age como suplemento alimentar possibilitando o emprego de rações com menores teores de proteína bruta durante o cultivo de alevinos de tilápia do Nilo.

CONCLUSÕES

Conclui-se que o uso de adubação possibilita a utilização de rações com menores teores de proteína para alevinos de tilápia do Nilo e que se pode incorporar 6% de levedura desidratada em rações para este peixe nesta fase de desenvolvimento.

LITERATURA CITADA

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Zootecnia Tropical > Sumario de la Colección > Volumen 25